Roendo #2: Sangue dos Deuses – Michel Duarte

Ficha técnica:

11823810_386110844916802_828227930_nTítulo: Sangue dos Deuses

Autor: Michel Duarte

Edição: #2

Ano: 2015

Páginas: 288

Editora: Autor Independente

Nota: 4/5

 

Impressões:

Se você gosta de porrada, esse é o livro pra você!

Longe de ser uma história mal construída, Sangue dos Deuses é o tipo de livro pra fãs de batalhas e guerras, porquê, basicamente, o livro todo é sobre isso: A guerra para evitar o fim do mundo, o Ragnarök.

Ok, tema clichê.

Mas, como diria o Capitão Azul do anime Viewtiful Joe, ou a Winnie, namorada do Pica-pau: Todas as histórias seguem uma sequência conhecida, o legal é descobrir “COMO” acontece…

E em Sangue dos Deuses, a criatividade rola solta.

11825746_2076871642451603_559866403724599997_n fotorApesar de ser uma obra extremamente bem construída, e fiel ao pé da letra a mitologia nórdica, isso não impediu o autor de ter liberdade para desenvolver os personagens de forma cativante.

Em tempos de Katniss Everdeen, Katherine Aesirson não deixa nada a desejar. Descendente da Valquíria Brunhild e do herói Siegfried, a garota é o que chamaríamos de semi-deusa latente. (Percy Jackson? Também pensei nisso ^^ ) Depois de ter sua família massacrada por Loki, a garota explosiva, de personalidade forte, que sempre defende sua opinião e tem uma quedinha por compras e roupas de grife, jura vingança ao deus da trapaça. Apesar de impulsiva e muitas vezes tola, eu gosto dela. Sim, porque tenho horror a personagens principais fracas, passivas, sem vontade própria nem personalidade, que não fazem nada ao longo da história.

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A garota de olhos azuis-celeste e cabelos louros, muito bela (clichê? Sim, mas ela é descendente de nórdicos, então faz sentido, mesmo que viva no calor escaldante da caatinga baiana) se une a Altamir ❤ príncipe dos Elfos Claros, e Erick, amigo de infância e líder por direito dos berserkers. Opa, opa, opa… O quê são Berserkers??? Na mitologia nórdica, são guerreiros leais a Odin, em Sangue dos Deuses, são uma espécie de “Lobisomens” leais ao mesmo deus. No caso de Erick, seus pais eram líderes dos Berserkers, porém, precedendo a libertação de Loki, foram assassinados por Gandr (é uma mulher que fique bem claro), serva de Loki, que fazia os preparativos para seu retorno, tornando-se assim, Alfa dos Berserkers; título que por direito, é de Erick.

Michel Duarte

Outra observação importante sobre a história é a construção dos personagens, tanto principais quanto secundários, podemos definir claramente quem é quem, e como vão agir.

O livro todo é cheio de referências ao universo Geek: Me lembrei do carro voador invisível dos Weasleys de Harry Potter quando Vili (deus caído, super importante na história) apareceu assoviando para chamar Fury, ao irem ele e Katherine ao Mercado dos Trolls. Fora, que a própria protagonista, é quem mais se utiliza de referências, quando, por exemplo, chamou Altamir de “Dobby“. Quase me acabei de rir na hora. Altamir lembra Legolas de O Senhor dos Anéis, mas nessa parte específica do livro, ele age como servo da herdeira dos deuses e ela, fica mega constrangida.

Sangue ds deuses

Loki, o antagonista, detém as melhores falas:

“— Por quê? – Loki sorriu ironicamente. — Deixe-me ver: eu fui aprisionado por milhares de anos, preso em correntes forjadas a partir das entranhas de meu próprio filho, Nari, enquanto uma serpente cuspia ácido fervente em meu rosto – Loki estremeceu por alguns segundos, retirando a máscara, para que o Aesir pudesse ver seu rosto deformado, queimado em carne viva. — Não ficou muito bonito, não foi?

Vé se calou.

— Vamos ver… O que mais? Ah claro, meus filhos mais velhos foram lançados nos lugares mais distantes, nas grutas mais sombrias ou nos oceanos mais profundos, como animais! Acho que eu tenho todos os motivos do mundo para desejar vingança” (Loki para Vé, p.85)

“Monstro? ‘Por favor’… Eu passei os últimos dias absorvendo todo o conhecimento que encontra-se naquilo que vós, mortais, nomearam ‘internet’, tentando assimilar o que eu perdi nos últimos milhares de anos e eu tenho que admitir: vocês ‘humanos’ andaram ocupados: massacres durante as ‘conquistas’, destruição de civilizações inteiras com o desculpa de agir em prol da civilização daqueles povos, as grandes guerras, a bomba…Sim como poderia esquecer o ‘grande cogumelo’? Sem falar da forma com que tratam uns aos outros, permitindo que pessoas morram de fome aos milhares por dinheiro. E os Aesir me julgavam um male, ah se eles pudes sem ver como sua doce humanidade esteve ocupada… Mas imagino que eu deva agradecê-los por isso […] Vê minha querida? Eu não sou o monstro, não! Vocês são os monstros. Eu sou apenas a consequência.” ” (Loki para Katherine, p.167-168)

E o melhor, não é esse Loki que aparece no livro:

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É esse:

lokithaiÉ, eu sei, dá medo, Loki das HQs é foda. Essa imagem expressa bem os acontecimentos da obra e a manipulação indigna que ele faz com seus aliados e inimigos… não é à toa que ele é chamado de trapaceiro. Enfim, Loki é o que eu considero um vilão que, mais dá pra amar que odiar… (Por mais que ele seja filho da pu… desorrado, desonesto, etc, ou seja, super gente boa! 😀 )

Saindo um pouco dos personagens, gostei imenso, das descrições dos reinos, especialmente a de Vanaheim:

“Mas não, após apenas alguns segundos mesmo os mais ignorantes poderiam perceber as diferenças (em grande parte geradas pelos poderosos moradores daquele reino), o mais sábio saberia apreciar e o mais ganancioso veria satisfeito que ao enterrar moedas, ou mesmo ouro, no chão, uma árvore do mesmo material brotaria, quase que de imediato, pois os Vanir eram deuses da natureza, da fertilidade e da vida, e seu reino não podia ser algo, se não, o próprio reflexo de suas funções: um local onde a vida simplesmente explodia, sendo gerada espontaneamente a partir de seres inanimados, ou mesmo a partir do nada. Uma verdadeira “explosão de vida” que a tudo contagiava sendo um ser vivo ou não, animados ou inanimados, formado por matéria orgânica ou inorgânico, tão poderosa era aquela magia que tanto Altamir quanto o cervo recuperaram-se imediatamente da fadiga, como se tivessem banqueteado na noite anterior e dormido até o sol atingir o pico.” (p.202-203)

Outro ponto positivo são as letras personalizadas no início dos capítulos:

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Claro, ainda vem anexos no final como esse, explicando sobre a história mitológica até então, um anexo sobre as raças dos personagens da história: Aesir, Anões, Berserkers, Elfos Claros, Elfos Escuros, Fadas ❤ , Humanos, Gigantes, Trolls e Vanirs… Ufa! Além de um outro referente aos nove mundos de Yggdrasil para nos localizarmos melhor em meio a bagunça, e falando em localizar, também há mapas! (Realmente, O Senhor dos Anéis inspirou esse livro…)

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As notas de rodapé são úteis e ajudam a esclarecer dúvidas ❤  além de ter algumas ilustrações feitas pelo Heromachine caracterizando alguns personagens mas não sei isso esse é um ponto negativo ou positivo :/ porque para alguns, atrapalha imaginar os personagens…

Críticas:

As batalhas são o ponto alto do livro, sem dúvidas. Mas meu problema é: Como o autor cria os motivos para que ela aconteçam. Minha grande revolta, foi o discurso de Altamir para convencer os Vanir de Vanaheim a se aliarem aos Elfos Claros, Fadas, Anões e Berserkers, contra Loki, usando como motivo, uma promessa de lealdade e honra que os deuses da natureza e da fertilidade fizeram aos deuses Aesir, muito tempo atrás.

Os elementos honra, lealdade e promessas são elementos centrais do livro. E boa parte das ações dos personagens são pautadas nisso, com muita moralidade por parte dos “mocinhos” e dogmas desobedecidos pelos vilões. Quase um filme hollywoodiano dos anos 1950… onde ficam bem definidos quem é bomzinho e quem é malvado.

Ainda sobre o discurso de Altamir, pouquíssimo convincente na minha humilde opinião de pessoa cética, ele teve somente um opositor bem definido, o Carvalho Branco. É quase como se todos os Vanir estivessem compelidos a ir desde o momento que Altamir chegou, o que pra mim é algo muito pouco improvável, já que, segunda uma profecia citada na mitologia nórdica, os Vanir não seriam atingidos pelo Ragnarök, e que caberia a eles, encher novamente o galhos de Yggdrasil de vida.

“O senhor sabe que é o certo a se fazer, afinal como eu sou um carvalho e todo carvalho é guardião da sabedoria devo lembrar-lhes que as antigas profecias afirmam que nosso lar não será tocado no Ragnarök, que diferente dos passageiros deuses Aesir, nós, senhores da natureza e da fertilidade permaneceremos, pois é nossa função permanecer para mais uma vez encher Yggdrasil de vida.”(Ancião Carvalho Branco para Njörd, p.204)

Porra, se eu não vou ser afetado se ficar no meu canto neutro, por que eu vou me meter em encrenca só por causa de uma promessa feita há milênios a deuses que no momento que o pau rola solto estão oficialmente desaparecidos, ou mesmo exilados por um véu em Asgard? Colocando em risco todo o meu povo a sofrer a ira de Loki? Sendo que não ganhamos nada com isso, na verdade a tendência é perder…

Claro, porque pelo que eu conheço de lógica, só se entra em conflitos, principalmente em guerra onde sabe-se que é certo perder vidas, em dois casos: 1) Se você tiver muito a ganhar se entrar; 2)Se você estiver ameaçado a perder coisas importantes se não entrar.

Bem, eu não engoli Altamir como diplomata.

Crítica número dois: Como raios Katherine, consegue ferir Erick que treinou a vida inteira e é uma montanha de músculos, na primeira vez que lutam? Sendo que ela, nunca havia pegado numa espada na vida? E não me venham com essa de “talento latente” e “ela é uma deusa”, tinha que no mínimo ter apanhado mais, e só conseguisse tocar em Erick “o Alfa” do segundo treino (ainda estou sendo boazinha) pra frente.

No geral minhas críticas são apenas em como o autor fez pra chegar a coisas importante através de coisas banais, só porque precisava de um motivo para que acontecessem e pela linguagem utilizada no início do livro ser pouco atrativa, mas não desanimem, melhora MUITO depois da página 40.

Na segunda edição, assim como na primeira, existem muitos erros de acentuação e alinhamento de parágrafos, contudo, segundo o próprio autor, já foram resolvidos.

Observação Importante!!!

O autor publicou a primeira edição do livro pela editora Cata-vento, mas a segunda edição foi publicada de forma independente. Hoje em dia, o livro só pode ser adquirido através do próprio autor, mas relaxem, tá bem mais barato! Vem com frente incluso e ainda com lindos marcadores de página :3 ❤

Skoob: Sangue dos Deuses

Facebook: Sanguedosdeuses1

Site: escritormichelduarte.wix.com/sanguedosdeuses

O Autor:

5d03ac_0a1768f75d1d438d87a687fe7d058394Jean Michel Duarte Santana, soteropolitano, amante de História e leitor compulsivo, é estudante de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e escritor comprometido; apesar da pouca idade já tem dois livros publicados e mais um a caminho. Desde a infância é fascinado por culturas e sociedades, tanto antigas quanto atuais, isso fez com que se voluntariasse para pesquisar documentos históricos no Memorial da Faculdade de Direito. No entanto, é na fantasia que se sente à vontade; de início estudou afundo mitologia grega, mas encontrou na nórdica a sua verdadeira paixão. Curioso e insaciável, fez dela seu tema preferido para criar histórias.

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